Ocidentalização do Oriente

Professores avaliam retratos de imperador romano feitos por candidatos a vaga em universidade de Seul [Folha Online]

Professores avaliam retratos de imperador romano feitos por candidatos a vaga em universidade de Seul (Folha Online)

A história da Coréia parece ser muito interessante. Tanto pela sua antiguidade que, como no caso da história de outras nações orientais, é muito desconhecida por nós, no Brasil, no Ocidente etc; bem como pela sua história dos tempos de hoje, sua realidade social. A história antiga da Coréia é mesmo muito obscura para mim. O pouco que eu sei é que a península da Coréia, desde séculos atrás, era ocupada por uma etnia, os coreanos, que conformavam uma entidade política coincidente com o território da península. Até hoje a população coreana é uma das mais homogêneas etnicamente e linguisticamente do mundo. No entanto, há pouco tempo (umas seis décadas para uma história de séculos – senão milênios – é realmente muito pouco) algumas mudanças vêm transformando radicalmente essa história.

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Eis o comentário de uma leitora da Folha Online, sobre o programa BigBrother da Rede Globo, postado em 10/1/2008:

É pura hipocrisia criticar o Big Brother por não ter a “qualidade” que deveria ter.
Eu me considero uma pessoa culta (por mais ridículo que esse termo possa parecer).
Faço tudo o que os pseudo-intelectuais exigem: sou pós-graduada, trabalho em uma grande empresa, leio cerca de 25 livros ao ano, assisto à CNN e leio a Folha de São Paulo e Veja.
Mesmo assim, assisto à novela das oito e ao Big Brother.
Isso diminui minha inteligência?
De forma alguma.
Não é necessário ser “culto” o tempo todo. Apenas nos momentos certos.
É isso o que vocês precisam entender.

Muito interessante o comentário da leitora.

Concordando com o final do comentário dela, de fato, não é necessário ser “culto” o tempo todo. E a princípio também não há nada que se possa dizer acerca de sua inteligência, uma vez que essa qualidade pode se expressar de diversas formas, não importando se a pessoa gosta desse ou daquele passatempo, por mais frugal que possa parecer.

Mas o que mais me interessou foi o fato de se considerar uma pessoa culta. Não acho que o termo pareça ridículo. O mais ridículo é ela se considerar culta – disso, por conseqüência, o termo pode ganhar ares de ridículo. Eis a definição do Michaelis:

adj (lat cultu) 1 Que se cultivou; cultivado. 2 Ilustrado, instruído, sabedor. 3 Civilizado. 4 Esmerado: Linguagem culta. Antôn: inculto. sm 1 Forma pela qual se presta homenagem à divindade; liturgia. 2 A religião: Culto católico, culto protestante. 3 Cerimônias religiosas. 4 Veneração. C. externo: cerimônias e festividades religiosas. C. interno: o que se rende a Deus por atos interiores da consciência.

O mais provável é que ela tenha utilizado a acepção em destaque para o adjetivo culto. E o que reivindicou para tanto foi o fato de ser pós-graduada, trabalhar em uma grande empresa, ler cerca de 25 livros por ano e – o melhor – assistir à CNN e ler a Folha de São Paulo e a Veja!

Mas não há que se condenar a pobre mulher. É uma mulher de seu tempo. Destes tempos de hoje, em que o excesso de informação a que temos acesso forma um cenário cultural onde casam-se muito bem o interesse por questões da política e economia nacionais e mundiais com formas culturais situadas entre o bizarro e o non-sense, como o famigerado BigBrother, além da – por que não? – famigerada revista Veja. E a página online da Folha sintetiza muito bem esse cenário.

PS.: Não dá curiosidade para saber quais foram os 25 livros que ela leu no ano passado?