“Eu leio mundo”
Eis o comentário de uma leitora da Folha Online, sobre o programa BigBrother da Rede Globo, postado em 10/1/2008:
É pura hipocrisia criticar o Big Brother por não ter a “qualidade” que deveria ter.
Eu me considero uma pessoa culta (por mais ridículo que esse termo possa parecer).
Faço tudo o que os pseudo-intelectuais exigem: sou pós-graduada, trabalho em uma grande empresa, leio cerca de 25 livros ao ano, assisto à CNN e leio a Folha de São Paulo e Veja.
Mesmo assim, assisto à novela das oito e ao Big Brother.
Isso diminui minha inteligência?
De forma alguma.
Não é necessário ser “culto” o tempo todo. Apenas nos momentos certos.
É isso o que vocês precisam entender.
Muito interessante o comentário da leitora.
Concordando com o final do comentário dela, de fato, não é necessário ser “culto” o tempo todo. E a princípio também não há nada que se possa dizer acerca de sua inteligência, uma vez que essa qualidade pode se expressar de diversas formas, não importando se a pessoa gosta desse ou daquele passatempo, por mais frugal que possa parecer.
Mas o que mais me interessou foi o fato de se considerar uma pessoa culta. Não acho que o termo pareça ridículo. O mais ridículo é ela se considerar culta – disso, por conseqüência, o termo pode ganhar ares de ridículo. Eis a definição do Michaelis:
adj (lat cultu) 1 Que se cultivou; cultivado. 2 Ilustrado, instruído, sabedor. 3 Civilizado. 4 Esmerado: Linguagem culta. Antôn: inculto. sm 1 Forma pela qual se presta homenagem à divindade; liturgia. 2 A religião: Culto católico, culto protestante. 3 Cerimônias religiosas. 4 Veneração. C. externo: cerimônias e festividades religiosas. C. interno: o que se rende a Deus por atos interiores da consciência.
O mais provável é que ela tenha utilizado a acepção em destaque para o adjetivo culto. E o que reivindicou para tanto foi o fato de ser pós-graduada, trabalhar em uma grande empresa, ler cerca de 25 livros por ano e – o melhor – assistir à CNN e ler a Folha de São Paulo e a Veja!
Mas não há que se condenar a pobre mulher. É uma mulher de seu tempo. Destes tempos de hoje, em que o excesso de informação a que temos acesso forma um cenário cultural onde casam-se muito bem o interesse por questões da política e economia nacionais e mundiais com formas culturais situadas entre o bizarro e o non-sense, como o famigerado BigBrother, além da – por que não? – famigerada revista Veja. E a página online da Folha sintetiza muito bem esse cenário.
PS.: Não dá curiosidade para saber quais foram os 25 livros que ela leu no ano passado?




O pior é pensar a leitura como obrigação. Putz, se não ler os 25 livros/ano deixa de ser culto.
Foda né?
Então… primeira coisa e que se quer usar a elegança francesa para escrever tem que seja certe!
“non-sens” nao tem um “e” no fim…
Boa idea o blog, eu tampouco nao me encatava de fazer um, mas finalemente, para divulguir,transmitir, ensinar nossa experiencia e nosso saber aos outros que nao tem a sorte de ser um peixe inteligente e culto acho que é mais que necessario! E se nao como vão fazer eles pra aprender tudo o que nos conhecemos…
Ai vou passar me cultivar aqui mesmo agora, nao querro ser um cara educado pra a folha!so pra a folha de coca!
abraço yan
HAHAHAHAHAHAHAHA!!!
Fiquei aqui minhocando: 25 livros de auto-ajuda? Não serei tão má: ela também leu Paulo Coelho!!!
Se eu ler 24 livros não sou culta?rsrs!!! E se eu ler dois de 3000 páginas??? rsrsrs!!!
Realmente…critérios ótimos…rsrs!!!
Adorei teu blog!!!rsrs!
Elegancia? ou elegança? rsrsrsrs….
O francês quis tirar onda e se ferrou… rs.
Mas ele gente boa. Meu camarada.