Marcha da Maconha

Marcha da Maconha 2008

Marcha da Maconha 2008

No último sábado em São Paulo, no Parque Ibirapuera, “aconteceu” a Marcha da Maconha, cujo objetivo era discutir a legislação acerca da maconha em nosso país. Isto é, mais ou menos, pois de acordo com uma liminar emitida na noite anterior, seguindo o mau exemplo de decisões judiciais de outras capitais onde o evento ocorreria, a justiça paulista proibiu que a marcha ocorresse por aqui também. Eu estive lá, e observei algumas coisas interessantes, que me fizeram refletir.

Em primeiro lugar, a Marcha obteve notoriedade maior justamente quando setores conservadores da justiça começaram a fazer uma histeria em cima do fato. De acordo com a visão deles, um ato que defenda a descriminalização da maconha caracterizaria crime de “apologia” às drogas. Depois que a marcha foi proibida na Bahia, os jornais começaram a noticiá-la, inclusive mostrando imagens dos sites da organização no Brasil e nos EUA, pois o evento é organizado internacionalmente, tendo a internet como principal meio para a divulgação da idéia. Entretanto, mesmo que os sites estivessem lá desde há muito, é bem provável que a “ajudinha” da Rede Globo, da Folha, entre outros veículos de imprensa, serviu para divulgar um pouco mais tanto o site quanto a polêmica.

Com a decisão da justiça proibindo a realização da Marcha, os organizadores, de sua parte, cancelaram o evento. De qualquer maneira, alguma coisa inevitavelmente ocorreria, uma vez que o local de encontro e a data já estavam marcados, e muitos provavelmente não souberam a tempo do cancelamente. Outros obviamente souberam mas ignoraram e para lá se dirigiram. Eu inclusive.

Diferentemente de movimentos sociais que reivindicam outras pautas, percebi que os defensores da legalização não têm muita prática com a política. Como não participei das reuniões nem do fórum de organização, não posso ter muita certeza quanto a isso que acabo de afirmar. Afinal, é possível que entre os organizadores haja gente, digamos, mais habilidosa na arte da agitação política. No entanto, como eles prudentemente não compareceram para dirigir o ato, o pessoal que estava lá não sabia muito o que fazer.

Talvez até soubesse. Mas a repressão estava lá; e era bastante forte para o tanto de gente que compareceu para a Marcha. Havia PMs, policiais do GARRA[!] (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos), do DEIC (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), da Tropa de Choque e da Guarda Municipal. Os policiais do GARRA estavam no “melhor” estilo Capitão Nascimento, com submetralhadoras, escopetas e o diabo! Um tremendo exagero.

Então no começo a galera que chegou ficou lá, sem saber muito o que fazer, olhando uns para os outros. Até que um cara, acho que Fábio era seu nome, abriu um pequeno cartaz onde se lia algo como: “Não fumo, não compro, não vendo e não condeno. Legalize já”. Pronto, foi o sufuciente para os PMs chegarem na truculência, o que deu motivo para se formar um bolinho de gente gritanto “Abaixo a repressão!”. Rolou spray de pimenta e tudo; eu mesmo tomei uma borrifada, de leve. Uma repórter da RedeTV mesmo ficou indignada com aquilo.

No final das contas, os próprios policiais perceberam que não poderiam fazer nada. Ninguém ali estava induzindo ninguém a fumar maconha e nem mesmo fumando. Apenas estávamos exercendo um direito democrático, de liberdade de expressão e de reunião. Falamos o que quisemos.

Aos poucos creio que um movimento mais articulado pela legalização consiga se formar. E com isso colocar as questões para a sociedade refletir que tipo de legislação sobre drogas queremos. Afinal, se as pessoas têm direito de se alcoolizar, por que a maconha, bem menos nociva à saúde e à integridade física é proibida? Se a indústria da cerveja pode associar o consumo da bebida a ideiais de juventude, beleza e sucesso, por que os usuários de maconha não podem ter o direito de organizar um ato político que questione a lei proíbe seu consumo? O tema da legalização da maconha abrange questões muito mais amplas do que um mero baseado. Está ligado à questões relativas à liberdade individual e mesmo de regulação econômica. Ora, se o Estado proibe um produto que tem uma alta demanda, isso encarece seu preço e torna a atividade de sua venda um negócio muito lucrativo. Se ele é ilegal, somente gente ligada ao crime organizado poderá vendê-lo; e obviamente isso gera uma violência que o Estado mesmo se mostra incapaz de controlar.

Toda cultura na história da humanidade faz uso de algum tipo de “droga”, ou mesmo de várias. Bebidas alcoólicas, tabaco, analgésicos, antidepressivos, estimulantes etc estão entre o que o mundo ocidental consome – e consome muito. Por que então uma planta que tem seus efeitos conhecidos há milênios e que jamais matou alguém por seu simples uso é proibida? Que interesses estão por trás? O que nisso tudo há de pesquisa científica e o que há de preconceito ideológico?

As perguntas não são tão simples de serem respondidas. Procure se informar.

Alguns links interessantes:

Data da última edição deste texto: 18/07/2009

Comentários

Há um comentário em“ Marcha da Maconha”
  1. GB disse:

    achei muito interessante o blog, aborda questões sociais de uma maneira prática e objetiva, muito boa esse post tá de parabens :)

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