Visão de um historiador na Campus Party 2010

inovacao-criatividade-cparty2010A posse do computador conectado à internet satisfaz uma dimensão de expectativa de potência subjetiva. Conforme Pierre Lévy, o carro também cumpriu o mesmo papel.

A principal diferença, a meu ver, é que o carro expande o alcance de nosso corpo no espaço e encurta o tempo, a altos custos de produção. O computador expandirá cada vez mais o alcance de nosso espírito (ou mente) na realidade, potencialmente anulando barreiras espaciais e temporais, a custos que podem ser bastante reduzidos (a web não precisa de carvão ou de petróleo para funcionar).

Todos são potencialmente capazes de produzir significado à experiência humana. E se as ferramentas de expressão desses signos chegaram num momento histórico em que se tornaram baratas ao ponto de ser economicamente viáveis para a maior parte da população, por que não realizar isso imediatamente, ou seja, sem enrolação? A inclusão digital foi uma das importantes questões políticas tradas no evento.

Na Campus Party havia vários tipos de pessoas e ações que de alguma forma têm relação ou interesse pela chamada “tecnologia”. Tecnologia é um termo bastante vago, ou genérico, ou “geral”, que abrange tudo aquilo que pode ser considerado uma técnica.

Mas costumamos associar o termo atualmente às técnicas hi-tech, que utilizam computadores (máquinas bem pequenas, perto de outras máquinas que existem por aí) e, muito importante, CONEXÃO COM A INTERNET!!!! Quanto mais estável, livre e rápida for essa conexão, melhor.

A ciência dos computadores, ou cibernética como foi chamada no começo (anos 1950), é hoje algo que vai de programação e tecnologia da informação (TI) até blogagem e mídias sociais, e coisas doidas como modding e robótica, sem esquecer da produção estética.

As primeiras máquinas eletrônicas programáveis, capazes de realizar ações a partir de instruções escritas e de dados armazenados, surgiram na Inglaterra no contexto da Segunda Guerra Mundial. Os primeiros computadores controlavam canhões, para derrubar aviões (e matar seus pilotos). Os aviões eram tecnologias usadas para destruir alvos (bases militares ou cidades, que continham pessoas).

Enfim, eram um meio para matar.

Naquela época (primeira metade do século 20), os países que estavam em guerra haviam levado a lógica da competição a um ponto tão exagerado que os governos declaravam explicitamente seus interesses de dominação. O governo de Hitler na Alemanha é o melhor exemplo, e todo mundo conhece a história e apenas os muito escrotos admiram uma figura como esse ser.

Atualmente, nesse exato momento, nesse instante, no tempo de um tweet, há milhões de pessoas no mundo conectadas na internet, se comunicando, se informando, se divertindo e mesmo trabalhando, quando não estudando e até paquerando… Você que está lendo esse texto sabe disso. E sabe que a maioria dos que não estão conectados ou gostariam de estar ou se beneficiariam se estivessem.

Há algumas décadas os mais hi-tech eram os projetos de dominação e assassinato em massa.

E hoje, podem ser os projetos de compartilhamento e troca de bens culturais e educativos, diversão, relações pessoais de amizade e amor!

Como programar o software para que o hardware da sociedade funcione sem sobrecarga? Vamos fazer o possível para levar a ideia até o final? Como? O debate está aberto… Comente no fim da página.

Algumas fotos da Campus Party Brasil 2010


Data da última edição deste texto: 01/02/2010

Comentários

Há 2 comentários em“ Visão de um historiador na Campus Party 2010”
  1. Leonard disse:

    As vezes acredito que é preciso apertarmos: Ctrl+Atl+Del … pra ver se dá certo!

  2. Bianca disse:

    (espero que quando rolar essa tal revolução meus filhos e netos tenham estejam mais preparados para lidar com o mundo labirínticoinfinitocibernético. Por enquanto, vou controlando minhas ansiedades e angústias do não fim, do não tempo, do não lugar, do não real-real. Um beijo!)

    CIBERNÉTICA – GIL
    Lá na alfândega Celestino era o Humphrey Bogart
    Solino sempre estava lá
    Escrevendo: “Dai a César o que é de César”
    César costumava dar

    Me falou de cibernética
    Achando que eu ia me interessar
    Que eu já estava interessado
    Pelo jeito de falar
    Que eu já estivera estado interessado nela

    Cibernética
    Eu não sei quando será
    Cibernética
    Eu não sei quando será

    Mas será quando a ciência
    Estiver livre do poder
    A consciência, livre do saber
    E a paciência, morta de esperar

    Aí então tudo todo o tempo
    Será dado e dedicado a Deus
    E a César dar adeus às armas caberá

    Que a luta pela acumulação de bens materiais
    Já não será preciso continuar
    A luta pela acumulação de bens materiais
    Já não será preciso continuar

    Onde lia-se alfândega leia-se pândega
    Onde lia-se lei leia-se lá-lá-lá

    Cibernética
    Eu não sei quando será
    Cibernética
    Eu não sei quando será

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