América e Europa
Na História Moderna do “Ocidente”, a Europa é o pai e a América é a mãe.
Europa: um pai autoritário e distante, violento e opressor, detentor da tradição.
A América, a terra acolhedora, foi a nossa mãe.
Nessa história, os EUA são o primogênito. E nós, Brasil e América Latina somos como os bastardos.
Mas isso não é de tudo ruim.
Nosso irmão primogênito, querendo ocupar o lugar do pai, fez de tudo para provar que podia ser melhor do que ele. Acabou reproduzindo tudo o que o pai tinha de ruim, inclusive sua insegurança, disfarçada de força, que acabaria se convertendo em paranóia.
Nós, os “bastardos”, não precisamos de nada disso. Quando até o nosso pai vai aos poucos percebendo toda a merda que causou, podemos nos contentar por não ter que carregar o fardo de uma tradição ridícula, que serviu muito mais para promover a dor e o sofrimento. Raça superior? Pureza? Escolhidos por Deus? Foda-se tudo isso!
Eles ainda vão querer ser como nós.
E nós temos muito mais a aprender com os Outros, que estão há muito mais tempo lá fora, e que também tiveram que aturar a ignorância e a prepotência de nosso pai: me refiro aos irmãos africanos, orientais e tantos outros.
Nós somos jovens aqui na América e temos muito a aprender com vocês!
Falo também dos que aqui estavam desde há milênios, os índios, e que sofreram com a ignorância de nosso pai. Levantemos nossa voz e eles terão de nos ouvir.



Isso é pra gente ver como pode ser mais sáudável ser órfão de Pai – Freud já dizia…
Vou anotar isso.
Acho que a psicanálise pode ter um grande potencial para esclarecer alguns aspectos da história humana. No final, todos temos o peso do Pai dentro da gente, e a história humana é, em parte, expressão dessa voz.