O fardo da tradição e a poesia da revolução

Karl Marx no primeiro capítulo do 18 Brumário de Luís Bonaparte:
Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens
[...]
A revolução social do século XIX não pode tirar sua poesia do passado, e sim do futuro. Não pode iniciar sua tarefa enquanto não se despojar de toda veneração supersticiosa do passado. As revoluções anteriores tiveram que lançar mão de recordações da história antiga para se iludirem quanto ao próprio conteúdo. A fim de alcançar seu próprio conteúdo, a revolução do século XIX deve deixar que os mortos enterrem seus mortos. Antes a frase ia além do conteúdo; agora é o conteúdo que vai além da frase.
http://www.marxists.org/portugues/marx/1852/brumario/cap01.htm
A poesia do ser humano é o que ele cria, é aquilo que ele faz, e isso tem um aspecto de dimensão técnica, embora não seja isso puramente. Poiesis é uma palavra grega que significa “criação” ou algo como “fazer”. As revoluções do passado tiraram sua poesia da sociedade industrial. A poesia da revolução do século 21 terá de tirar sua poesia da sociedade da livre-informação, do diálogo entre múltiplas vozes de múltiplas culturas. Isto também têm um aspecto técnico, embora não seja isso simplesmente. Poderemos criar algo novo desta vez? Quem estaria contra isso? O que fazer?
Definição nº 9 para Conceito no Dicionário de Poética e Pensamento – Letras – UFRJ
Definição de Poiesis na Wikipedia em espanhol


